Plenária defende unidade contra retirada de direitos

Na noite desta quinta-feira, dia 19 de janeiro, a Campanha em Defesa do Trabalho, dos Direitos e do Patrimônio Púiblico realizou a Plenária dos Atingidos por Sartori no Largo Glênio Peres.

Com a participação de representantes de diversas entidades e movimentos sociais, a atividade iniciou com uma esquete do Grupo Levanta Favela. Logo após, uma aula pública contou com as contribuições do juiz do Trabalho Tiago Mallmann Sulzbach, Bernadete Menezes, da Intersindical e Auditoria Cidadã da Dívida, e Cláudio Augustin, presidente do SindsepeRS e da direção da CUT. A mesa foi coordenada pelos dirigentes Erico Correa, da CSP Conlutas, e Igor Pereira, secretário estadual da juventude da CTB RS. Depois, foi aberta a palavra às entidades presentes. A tônica das falas foi a necessidade urgente da unidade da classe trabalhadora na resistência ao ataque aos direitos.

O primeiro a falar foi Mallmann, que também é secretário-geral da Amatra IV. Ele destacou a importância da Justiça e das Leis do Trabalho como garantidores dos direitos dos trabalhadores. Segundo ele, o Direito do Trabalho nasce do conflito entre capital e trabalho e se baseia no princípio da hipossuficiência do trabalhador, que possui menos poder do que quem detém o capital.  “Não existe liberdade de contratar entre desiguais. A legislação do trabalho é que liberta o trabalhador e isso incomoda muita gente. Na relação capital x trabalho, a liberdade escraviza e a lei liberta”, afirmou.

Para Mallmann, é preciso resistir contra as propostas que retiram direitos trabalhistas. “O respeito à dignidade humana não tem a ver com a crise. Nossa Constituição fala em valorização do trabalho humano. Não respeitar isso, portanto, é ir contra a Constituição. Querem nos levar de volta ao momento pré-1930, ao século XIX. Vivemos um momento singular, em que precisaremos escolher entre civilização e barbárie”, disse ainda.

Já Bernadete Menezes, da Intersindical e Auditoria Cidadã da Dívida, destacou o papel do rentismo na crise atual. “Tem dinheiro sim nesse país! Temos que virar essa mesa, não podemos sucumbir. A nossa relação dívida x PIB é controlável. O problema são os juros. Em um ano, pagamos em juros o equivalente a 14 anos de Bolsa Família. Quem é contra o Bolsa Família tem de ser contra o Bolsa Família dos ricos também! Eles dizem que todos tem de fazer sacrifícios mas, na prática, só nós é que estamos fazendo”, declarou.

Bernadete fez ainda uma pelo à união e à participação na luta contra o golpe. “O povo tem que tomar a tarefa de fazer a política para si. O golpe é contra tudo o que é público. Nós não queremos ficar no século XIX”, afirmou.

Por sua vez, Cláudio Augustin, do SindsepeRS, lembrou as lutas dos anos 1980, quando foi possível construir uma unidade do campo popular, o que se perdeu nas décadas seguintes. Para ele, o atual momento político exige a retomada dessa unidade. “Estamos vivendo um profundo golpe. No dia 13 de dezembro, mesma data do AI5, foi aprovada a PEC 55, que congela gastos públicos em saúde e educação por 20 anos. Estão entregando o pré-sal para empresas estrangeiras. Também querem acabar com a previdência dos brasileiros e com os direitos trabalhistas. Isso é possível porque não estamos unidos. Esse Fórum Social das Resistências que está acontecendo agora em Porto Alegre é até mais importante que os anteriores, porque estamos reaprendendo a nos organizar”, afirmou. “A sociedade está sendo enganada. Temos de sentar e construir a unidade”, concluiu.

Após as aulas públicas, também se manifestaram dirigentes de outras entidades e servidores das fundações e estatais atingidas pelo pacote de Sartori. Igor Pereira, da CTB, lembrou que ao mesmo tempo que o governo Sartori propõe a extinção de órgãos públicos e a demissão de servidores como saída contra a crise, ele concede R$ 9 bilhões em isenções fiscais a grandes empresas do Estado. Alberto Terres, do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), também defendeu a união e reforçou as críticas ao prefeito Nelson Marchezan Jr., que pretende implantar na capital o que Sartori já está fazendo no Estado. Terres anunciou ainda a criação da Frente Municipal em Defesa do Serviço Público.

A seguir, manifestaram-se representantes de entidades, movimentos e partidos como Fundação Piratini, Corag, FEE, Cientec, MTST, Juízes pela Democracia, PCB, Assufrgs e CSP-Conlutas.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *